O Processo de Eleições Diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores (PT) de Franco da Rocha, marcado para o próximo domingo, 6 de julho, ganhou contornos de disputa interna acirrada e polêmica. O ex-vereador Alexsander dos Santos, conhecido como Alex Caixa, teve sua candidatura à presidência do diretório municipal impugnada após pedido protocolado por Silmara Ciampone — ex-candidata a vice-prefeita na chapa de Marcus Brandino Celeguim de Morais (Bran Celeguim) nas eleições municipais de 2024.
A decisão, assinada por Ana Carolina Alencar Nunes, presidente atual do PT municipal e ex-esposa de Bran Celeguim, foi tomada em reunião realizada no escritório político do deputado federal Kiko Celeguim, irmão de Bran. O documento não informa quais membros do partido participaram da deliberação, o que reforça a crítica de falta de transparência no processo.
Diante da situação inflexível, Alex Caixa retirou seu nome da candidatura.
Acusações de parcialidade e favorecimento
Na defesa apresentada, Alex Caixa afirma que a impugnação de sua candidatura configura uma tentativa de garantir, por aclamação, a vitória da chapa apoiada por um “grupo familiar hegemônico que controla o diretório há décadas”. Para ele, o julgamento foi parcial e marcado por vício de origem.
“Não se trata de simples disputa eleitoral, mas de clara tentativa de exclusão de uma candidatura legítima para garantir aclamação do candidato apoiado por uma estrutura familiar hegemônica”, argumenta Caixa, em trecho de sua manifestação.
Segundo o diretório, a principal justificativa para a impugnação seria o fato de Alex Caixa ocupar cargo na gestão da prefeita Lorena Oliveira (Solidariedade), classificada pelo partido como um “governo bolsonarista”. O documento ainda aponta relatos de filiados que teriam sido assediados com promessas de cargos em troca de apoio eleitoral — acusação negada por Alex Caixa.
Contradições e vínculos externos
A defesa do ex-vereador destaca contradições no processo. Ele lembra que a própria autora do pedido de impugnação, Silmara Ciampone, ocupa cargo comissionado na Prefeitura de Jundiaí, sob gestão de Gustavo Martinelli (União Brasil), enquanto Ana Carolina — que assinou a decisão — atua na Prefeitura de São Bernardo do Campo, comandada por Marcelo Lima (Podemos). Ambos os prefeitos são publicamente alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao governador Tarcísio de Freitas.
“Essa circunstância reforça a incoerência do argumento usado para impugnar minha candidatura, baseado em vínculo com um governo não petista”, rebate Alex Caixa.
Além disso, ele aponta que Ana Carolina e Silmara integram a mesma chapa “Prontos Pra Luta”, o que, segundo ele, seria contraditório: “Supondo que o argumento pela impugnação esteja correto, como elas poderiam compor tal chapa? Ou seja, faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço?”, questiona.
Apoios considerados incoerentes
Outro ponto levantado por Alex Caixa diz respeito ao apoio dado pelos deputados Kiko Celeguim (federal) e Maurici (estadual) à coligação em Francisco Morato nas eleições de 2024. A chapa apoiada por eles foi liderada por Ildo Gusmão, do Republicanos — mesmo partido do governador Tarcísio — e tinha como vice o petista Chicão Bernabé. O grupo também reunia PL e Solidariedade, os mesmos partidos usados como justificativa para barrar sua candidatura.
“Tal contradição demonstra que essas alianças são aceitas quando politicamente convenientes ao grupo dirigente local, mas criminalizadas quando envolvem figuras que desafiam sua hegemonia interna”, afirmou.
Interferência familiar e tentativa de acordo
O ex-vereador também denunciou possível interferência direta na condução do processo: o atual secretário de organização do PT local, Paulo de Tarso H. Meira — responsável pelo trâmite das candidaturas no PED — é casado com Ana Carolina Alencar Nunes, presidente do partido e autora da decisão que o imp
ugnou.
Por fim, Alex Caixa revelou que, no dia 27 de maio, recebeu um pedido direto de Bran Celeguim para que retirasse sua candidatura. Após recusar, foi surpreendido com a impugnação dias depois.
A exclusão de Alex Caixa da disputa reforça o domínio do grupo Celeguim sobre a estrutura do PT em Franco da Rocha, mas também escancara fissuras internas, acusações de incoerência e o risco de enfraquecimento da democracia partidária no município.
