O PT de Franco da Rocha resolveu tropicalizar o chavismo. Adotou o velho manual venezuelano de como impedir adversários de disputar o poder: impugna, persegue, pressiona — tudo em nome da democracia interna, claro.
Desde que Bran Celeguim decidiu deixar de ser coadjuvante na política para tentar virar prefeito, o PT local entrou em modo “defesa da monarquia”. O resultado? Lorena Oliveira, que seria a candidata natural do partido, foi jogada de lado. Ela saiu do partido, levou uma turma com ela, e venceu as eleições justamente contra o príncipe herdeiro. Vergonhoso? Talvez. Mas didático.
A lição não serviu, porque o roteiro se repete agora com o ex-vereador Alex Caixa. Ele tentou disputar a presidência do diretório municipal, mas acabou impugnado. Quem pediu a impugnação? Silmara Ciampone, ex-candidata a vice de Bran Celeguim. Quem assinou a decisão? Ana Carolina, presidente do partido e ex-mulher de Bran. Onde foi feita a reunião? No escritório de Kiko Celeguim, irmão de Bran. É coincidência demais ou nepotismo de menos?
O motivo da impugnação é quase cômico: Alex ocupa cargo comissionado na gestão da prefeita Lorena, que, segundo o partido, é “bolsonarista”. Mas Silmara está nomeada em Jundiaí (administração do União Brasil) e Ana Carolina na Prefeitura de São Bernardo (Podemos), ambos bolsonaristas raiz. Hipocrisia? Não. Só mais uma regra do “faça o que eu mando, mas não tente me contrariar”.
O teatro ficou ainda mais bizarro quando Rosangela, substituta de Alex, recebeu uma visita misteriosa de um emissário de Kiko. Pouco depois, desistiu da candidatura. Estranho, né?
E como se já não bastasse, a presidência do partido é controlada por Ana Carolina, que é casada com o responsável pelo processo eleitoral interno. Quem precisa de eleição quando se tem um casamento bem alinhado?
Mas o que realmente mostra a cara do jogo é o pedido direto de Bran Celeguim para que Alex desistisse. Quando ele disse “não”, veio a impugnação. O trono precisa estar garantido — e se não for na urna, será na canetada.
No fundo, o PT de Franco da Rocha virou uma espécie de dinastia caribenha com sotaque da Linha 7-Rubi. Família manda, aliados obedecem, opositores são exilados. E o povo? Bem… o povo que vote nos nomes que a família liberar.
Se democracia interna é isso, imagina o resto.