Franco da Rocha e Morato estão entre as 20 cidades com o maior tempo de deslocamento do país

Municípios da região estão entre os que mais concentram trabalhadores que gastam mais de duas horas por dia para chegar ao trabalho

Franco da Rocha e Francisco Morato estão entre as cidades brasileiras onde os trabalhadores passam mais tempo no trajeto até o trabalho. É o que revela o levantamento do Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (9), com dados sobre o tempo gasto pela população ocupada entre casa e emprego.

De acordo com o IBGE, 7,3% dos trabalhadores de Francisco Morato e 5% dos de Franco da Rocha levam duas horas ou mais para chegar ao trabalho. Esses índices colocam os municípios, respectivamente, na 7ª e 14ª posição entre as 20 cidades brasileiras com piores tempos de deslocamento — todas com mais de 100 mil habitantes.

A média nacional é de 1,8% da população ocupada nessa condição. O levantamento mostra que a Região Sudeste concentra a maior parte dos deslocamentos longos, reflexo da urbanização intensa e da concentração de empregos nas capitais, o que gera o movimento pendular diário entre periferias e centros urbanos.

Dependência dos trens e transporte intermunicipal

O IBGE aponta que o deslocamento entre os municípios da Região Metropolitana de São Paulo é um dos principais fatores que elevam o tempo de viagem. Em cidades como Morato e Franco, boa parte dos trabalhadores depende do transporte público, especialmente os trens da Linha 7-Rubi, que conectam a região à capital paulista e a Jundiaí.

Segundo o relatório, esse descompasso entre moradia e oferta de emprego pressiona o sistema de transporte e impacta diretamente a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.
“O conhecimento da intensidade desses fluxos permite aprimorar o planejamento e a gestão dos sistemas de transporte, com efeitos diretos sobre a vida da população”, afirma o documento.

Retrato do Cimbaju

Os dados do IBGE também permitem comparar a situação dos cinco municípios que integram o Consórcio Intermunicipal dos Municípios da Bacia do Juquery (Cimbaju) — Francisco Morato, Franco da Rocha, Caieiras, Mairiporã e Cajamar.
Veja como se distribuem os tempos de deslocamento entre casa e trabalho:

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Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022

Os dados mostram que Francisco Morato e Franco da Rocha lideram os tempos de deslocamento mais longos, com mais de 45% dos trabalhadores levando acima de uma hora para chegar ao emprego. Já Cajamar e Mairiporã apresentam trajetos mais curtos, mas ainda enfrentam desafios de mobilidade por causa da expansão urbana e da concentração de empregos fora do município.

O transporte no país

O automóvel continua sendo o principal meio de transporte no Brasil, responsável por 32,3% dos deslocamentos, seguido por ônibus (21,4%) e motocicleta (16,4%). Mesmo assim, 17,8% dos trabalhadores realizam o trajeto a pé, especialmente em cidades menores ou com menor acesso a transporte motorizado.

O IBGE destaca que este é o primeiro Censo a incluir perguntas detalhadas sobre tempo e meio de transporte, o que permitirá planejar políticas públicas mais precisas.
No caso do Cimbaju, os dados reforçam a necessidade de investimentos em transporte intermunicipal, geração de empregos locais e integração regional, para reduzir o tempo médio de deslocamento e melhorar a qualidade de vida da população.

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