O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos dados técnicos nesta sexta-feira (13/02). Segundo uma avaliação detalhada do Sincomercio Jundiaí e Região, em parceria com a FecomercioSP, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende reduzir a jornada de trabalho formal pode elevar o custo da hora trabalhada em 22,2%.
Comparação Internacional e Realidade Brasileira
Um dos pontos centrais da análise das entidades é a comparação com outros países. O Sincomercio Jundiaí ressalta que a maioria das nações lida com a redução de jornada através de negociações coletivas e não por imposição constitucional imediata.
- Jornada Negociada: No Brasil, embora a lei preveja 44h, a média negociada já é de 39 horas semanais, patamar muito próximo ao de países desenvolvidos como Estados Unidos (38h) e Portugal (38,2h).
- Carga Anual: O trabalhador brasileiro atua, em média, 1.709 horas por ano. O número é consideravelmente menor do que em vizinhos latino-americanos como Colômbia (1.997h) e México (2.255h).
- Exemplo Alemão: Na Alemanha, a lei estipula 48h semanais, mas os acordos entre empresas e sindicatos baixaram a prática para 34,2h, provando que a flexibilidade da lei brasileira já permite avanços sem necessidade de nova PEC.
Riscos Econômicos e Sociais
O levantamento simula o cenário de um funcionário com salário de R$ 2,2 mil. No modelo atual (44h), a hora custa R$ 10,00. No modelo proposto (36h), esse valor saltaria para R$ 12,22, uma variação de 22,2% que as empresas, especialmente as Micro e Pequenas, teriam dificuldade em absorver.
O Sincomercio Jundiaí e Região alerta para efeitos como o repasse de custos aos preços (inflação), a “juniorização” de funções e o desincentivo a novas contratações. As entidades confirmaram que seguirão em articulação com os poderes Legislativo e Executivo para levar esses dados à discussão nacional.
