O ex-candidato a prefeito Bran Celeguim apareceu nas redes sociais na terça-feira (14) com uma pauta urgente: o atraso na entrega de uniformes e materiais escolares da atual gestão.
A preocupação é válida. O timing… nem tanto.
No vídeo, Bran esqueceu de incluir um detalhe nada irrelevante: em 2024, quando ele era chefe de gabinete e sua mãe, Renata Celeguim, comandava a Educação, os uniformes simplesmente não foram entregues. Não atrasaram — sumiram do mapa durante todo o ano letivo.
E aí entra um capítulo interessante dessa história. Renata ficou dez anos à frente da pasta e, segundo a própria Secretaria de Educação da época, a justificativa para o fiasco foi um corte de R$ 10 milhões no repasse do salário-educação, uma decisão do Supremo Tribunal Federal ainda quatro anos antes.
O problema é que a realidade não ajuda muito a narrativa: outros municípios enfrentaram o mesmo corte e conseguiram se reorganizar. Franco da Rocha, não.
Voltando ao presente: a atual gestão começou a entregar os uniformes de 2026 no fim de março e prevê a distribuição dos materiais escolares até o fim de abril. Já em 2023, ainda sob a gestão ligada à família Celeguim, os uniformes só chegaram em 25 de abril — ou seja, mais tarde do que agora.
Mas o roteiro ganha mais uma camada. A Prefeitura afirma que vem lidando com uma sequência de recursos no Tribunal de Contas, movidos por um escritório de advocacia ligado a grupo político, o que teria impactado os prazos. Mesmo assim, diz que ampliou o kit de 2026, com mais peças e melhor qualidade.
No fim, a cena fica difícil de ignorar: quem hoje cobra atraso é o mesmo grupo que ontem não conseguiu entregar nada.
E aí a pergunta do Farolete segue iluminando o caminho: é fiscalização legítima… ou só mais um caso clássico de amnésia seletiva pós-eleição?
