Muito voto, pouco Pix: o sumiço das emendas no quintal de casa

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O Farolete resolveu fazer aquela conferida básica — tipo extrato bancário depois do fim de semana — e encontrou um dado que beira o constrangedor: o deputado estadual Maurici simplesmente zerou o envio de emendas para as prefeituras do CIMBAJU nos últimos dois anos. Isso mesmo: Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Cajamar e Mairiporã ficaram no famoso “aguardando transferência”.

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E olha que não estamos falando de qualquer região. Foi justamente nesse pedaço do mapa que Maurici construiu sua trajetória política e garantiu uma votação robusta em 2022. Só em Franco da Rocha foram 24.828 votos. Em Francisco Morato, mais 19.111. No total, as cinco cidades somaram 56.595 votos — quase metade (46,60%) de tudo que o deputado conquistou nas urnas.

Mas, quando o assunto virou emenda, o carinho parece ter sido redistribuído geograficamente. Em 2025 e 2026, milhões foram direcionados para cidades como São Paulo, Itaquaquecetuba, Suzano, Bertioga e Rio Claro. Enquanto isso, no berço eleitoral… silêncio orçamentário.

Até teve algum trocado fora das prefeituras — recursos para outros órgãos públicos —, mas em volume bem mais tímido e, pior, em queda. Franco da Rocha, por exemplo, viu os repasses despencarem de R$ 940 mil em 2025 para apenas R$ 100 mil em 2026. Francisco Morato foi ainda mais radical: R$ 100 mil em um ano e nada no seguinte. Um verdadeiro “antes pingava, agora nem goteja”.

Nos bastidores, a conta é simples e começa a ecoar: como explicar tanto voto com tão pouco investimento direto? Porque, na política, gratidão até existe — mas costuma vir acompanhada de empenho e dotação orçamentária.

E o timing não poderia ser mais delicado. Maurici entra na disputa deste ano tendo que dividir espaço com dois nomes de peso: Renata Sene e Danilo Joan, que chegam com potencial real de avançar justamente sobre esse eleitorado. E, convenhamos, em uma eleição apertada, ausência também vota — e às vezes contra.

No fim, o Farolete deixa a provocação: o deputado pode até ter ampliado fronteiras pelo estado, mas corre o risco de descobrir, nas urnas, que base eleitoral não gosta de ser tratada como lembrança de campanha. Porque, quando o recurso não volta, o voto também pode pegar outro caminho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Conexão Juquery 
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