O abrigo para onde foram enviados os mais de cem cães resgatados em situação de maus-tratos em Mairiporã, denunciou a existência de criminosos que estão aplicando golpes em pessoas interessadas em adotar os filhotes.
Lar temporário, o Arca dos Animais atua na proteção de animais há quase 20 anos e foi chamado para auxiliar no caso pela própria polícia. A operação ocorreu no fim de abril após uma série de denúncias sobre como os cachorros eram tratados no local.
Segundo reportagem do Orbi, a advogada voluntária do abrigo, Mayara Baldo de Oliveira, disse que, desde que o resgate dos animais foi noticiado, o abrigo passou a receber uma série de mensagens e telefonemas de pessoas interessadas em adotar os filhotes, mas também de pessoas que relatavam terem caído em um golpe.
“Mais de 3.000 pessoas entraram em contato com a protetora. Mas o que nos assustou foi que muitas delas relataram terem feito pagamentos por Pix de até R$ 4.000 a pessoas que afirmavam estarem fazendo ‘reserva’ dos filhotes que estão sob os nossos cuidados”, disse a advogada.
A advogada afirma que o abrigo comunicou as autoridades sobre o golpe e registrou boletim de ocorrência. De acordo com os relatos, mensagens circulavam por grupos de WhatsApp com imagens dos cães junto a informações de venda e dados da Arca dos Animais.
“Gostaria de alertar as pessoas que não vendemos animais. Me coloco à disposição para ajudar quem foi alvo desse golpe. É importante descobrirmos quem está fazendo isso”, diz Mayara.
Dificuldade financeira
A reportagem do Orbi também apontou que o abrigo – que atualmente conta com 500 animais – tem enfrentado dificuldades financeiras e que os cães ainda não estão aptos a serem colocados para adoção.
“Estamos pedindo que nos ajudem nessa missão. Os interessados podem entrar em contato com a nossa equipe pelo perfil oficial no Instagram. Há também a possibilidade de fazerem doações de produtos na Causa Animal de Mairiporã, que irá nos repassar os itens”, explica a advogada.
Assim que chegaram, os cães resgatados foram avaliados por veterinários voluntários. Quinze deles precisaram de atendimento imediato porque apresentavam intoxicação, vômito, diarreia e feridas na pele.

A maioria dos filhotes está com problemas na pele. Por falta de recurso, ainda não foi possível avaliar todos e só quando estiverem bem é que será aberto o processo para adoção. A previsão, segundo a advogada, é de pelo menos 60 dias de cuidados.
Mayara também disse que, após receberem tratamento veterinário, os cachorros, que são das raças spitz alemão e chihuahua, receberão todas as vacinas necessárias e serão castrados para evitar que voltem a ser utilizados para reprodução, uma vez que filhotes como os que foram resgatados são vendidos por até R$ 10 mil em sites e redes sociais.