A desfiliação da vice-prefeita Lorena Oliveira do Partido dos Trabalhadores (PT) de Franco da Rocha gerou um racha político no interior da legenda. A controvérsia se intensificou após Nenê Preto, membro da comissão de ética do diretório municipal, compartilhar uma foto sua ao lado de Lorena em um grupo de WhatsApp do partido, desencadeando uma discussão entre os demais integrantes. As informações foram obtidas com exclusividade pelo Conexão Juquery.
A vice-prefeita, que até recentemente era considerada uma integrante importante no grupo político que está à frente de Franco da Rocha, agora é vista como opositora direta de Marcus Brandino, candidato escolhido pelo PT para disputar as eleições municipais de 2024. Apesar de ainda não haver nenhum anúncio oficial, Lorena Oliveira é apontada como pré-candidata ao executivo do município.
A desfiliação de Lorena Oliveira, ocorrida em setembro deste ano, provocou uma divisão significativa dentro do partido, gerando preocupações sobre como isso impactará a coesão interna e o desempenho nas eleições do próximo ano. A discussão no grupo de WhatsApp do PT expôs as divisões latentes entre os membros, destacando a polarização em torno dos posicionamentos políticos divergentes.
A presidente do PT em Franco da Rocha, Ana Carolina Alencar Nunes, advertiu a publicação de Nenê Preto, argumentando que o compartilhamento da foto não era compatível com a postura esperada de um membro partidário. A presidente alega que tal atitude contribui para a polarização interna e prejudica a coesão necessária para enfrentar os desafios eleitorais.

“O tipo de postagem realizada não é compatível com o exercício da direção partidária, por isso, peço a você, e a qualquer dirigente, que avalie a possibilidade de defender candidatura diferente daquela definida em plenária municipal, e para a qual não foi apresentada concorrência para deliberação, que apresente o formal pedido de afastamento da direção e/ou de desfiliação”, disse Ana Carolina.
Em resposta, um membro do grupo tentou justificar a publicação de Nenê Preto, alegando que as fotos foram compartilhadas em virtude do Dia da Consciência Negra e que não tinham o objetivo de afrontar ninguém. Ana Carolina rejeitou essa argumentação e destacou que a decisão de advertir Nenê Preto ou qualquer outra pessoa com publicação semelhante não estava passível de debate.
O membro discordante argumentou que a decisão não refletia os princípios democráticos do partido, destacando a importância de debater internamente as medidas disciplinares. Outras pessoas também se juntaram à discussão, algumas favoráveis à sinalização feita pela presidente do partido, e outras que desaprovaram a condução da situação.
Diante da situação, Marcus Brandino também se manifestou e mostrou descontentamento com membros do grupo que estão inclinados a apoiar Lorena Oliveira.
“Em relação à outra candidata, sem juízo de valor a respeito da discussão aqui, mas acho que já está na hora de você e os demais apoiadores e apoiadoras dela pararem de achar que somos idiotas. Ela já é candidata declarada, já procurou dezenas de pessoas para falar sobre isso. Já tem grupo de apoio e coordenação de campanha”, disse Brandino a uma integrante do partido.
“Já chega de ficar achando que somo idiotas. Está certa de ter, é uma candidatura absolutamente legítima, mas ninguém aqui é criança mais e esse papinho já deu. Tudo bem para quem abriu mão do nosso projeto e decidiu apostar em outro, bola para frente. Mas já chega de fingir”, completou o pré-candidato do PT.