Desde quinta-feira (30), Maceió (AL) está sob alerta máximo em razão do risco de colapso de uma das 35 minas de sal-gema da Braskem localizadas na cidade. O perigo anunciado provocou a evacuação emergencial dos bairros Bebedouro, Bom Parto, Pinheiro, Mutange e Farol, com aproximadamente 5 mil famílias sendo obrigadas a deixar suas casas.
Cerca de 60 mil pessoas tiveram que deixar suas casas desde 2018 devido ao afundamento de Maceió. Em 2019, a ligação entre o afundamento do solo e a exploração subterrânea pela Braskem foi comprovada em relatório do Serviço Geológico Brasileiro. Após isso, a companhia fez um acordo com a prefeitura local e pagou R$ 1,7 bilhão em indenizações.
Esse não é o primeiro caso de exploração subterrânea no Brasil que interfere na vida das pessoas. Cajamar, por exemplo, já presenciou algo parecido.
O buraco de Cajamar
Em agosto de 1986, moradores do bairro do Lavrinha, em Cajamar, acordaram com um estrondo. Muitos foram para a rua tentar entender o que havia acontecido. Foi quando um morador registrou o surgimento de um buraco em seu quintal. O que parecia um buraco simples, logo se tornou uma cratera de cinco metros de diâmetro. Um mês depois, a mesma cratera já possuía 50 metros de diâmetro e 20 metros de profundidade, e exigia atitudes mais concretas de políticos do município e do estado.

Centenas de famílias precisaram ser realocadas após ficarem desabrigadas e terem suas residências sofrendo danos estruturais. Um sobrado de oito quatros e dois andares acabou engolido pela cratera, mas o incidente não registrou vítimas.
À época, o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT) foi acionado para tentar identificar a causa do problema e concluiu, com a ajuda de especialistas vindos dos Estados Unidos, que a região afetada ficava acima de uma caverna subterrânea cuja a água vinha sendo retirada por uma companhia de bebidas e pela Sabesp, resultando na fragilização do terreno.