Bran Celeguim é o novo presidente do Diretório Municipal do PT de Franco da Rocha. Com 163 votos, ele venceu seu único adversário, Arnaldo dos Santos, que obteve 101 votos. A votação ocorreu neste domingo (6), durante o Processo de Eleições Diretas (PED) do partido, realizado na Câmara Municipal, e foi marcada por polêmicas envolvendo impugnação de candidatura, denúncias de interferência e acusações de favorecimento a um grupo familiar que, segundo opositores, controla o diretório há décadas.
Inicialmente, o principal nome da oposição a Bran era o ex-vereador Alexsander dos Santos, conhecido como Alex Caixa. No entanto, sua candidatura foi impugnada após pedido protocolado por Silmara Ciampone. Mesmo recorrendo da decisão, Alex optou por se retirar do processo diante da rigidez da medida e indicou Rosangela Bueno da Silva como substituta.
Entretanto, após ter o nome inscrito na chapa, Rosangela teria recebido a visita de Edilson, funcionário ligado ao deputado federal Kiko Celeguim, irmão de Bran. Pouco depois do encontro, Rosangela desistiu da candidatura, abrindo espaço para que Arnaldo dos Santos assumisse a disputa contra o candidato apoiado pela cúpula do partido.
A decisão de impugnar Alex Caixa foi assinada por Ana Carolina Alencar Nunes, presidente do diretório municipal e ex-esposa de Bran Celeguim. A reunião que definiu a impugnação foi realizada no escritório político de Kiko Celeguim — o mesmo local que, posteriormente, sediou a comemoração da vitória de Bran.
Para Alex Caixa, a impugnação foi uma tentativa deliberada de garantir a eleição por aclamação da chapa apoiada por um “grupo familiar hegemônico”. Em nota, ele afirmou que a decisão foi “marcada por vício de origem” e que a disputa eleitoral foi transformada em uma manobra para barrar a candidatura de quem desafia a estrutura dominante do partido na cidade.
A justificativa oficial apresentada pelo diretório para a impugnação foi o fato de Alex ocupar cargo na gestão da prefeita Lorena Oliveira (Solidariedade), classificada como um “governo bolsonarista” pelos petistas. O documento também cita relatos de assédio político, com promessas de cargos em troca de apoio — acusação negada por Alex.
O ex-vereador também apontou contradições nas alianças políticas promovidas pelos próprios líderes do partido. Segundo ele, os deputados Kiko Celeguim (federal) e Maurici (estadual) apoiaram uma coligação em Francisco Morato que unia Republicanos, PL e Solidariedade — os mesmos partidos usados como argumento para barrar sua candidatura em Franco da Rocha. A chapa era liderada por Ildo Gusmão (Republicanos), aliado do governador Tarcísio, e tinha como vice o petista Chicão Bernabé.
“Tal contradição demonstra que essas alianças são aceitas quando politicamente convenientes ao grupo dirigente local, mas criminalizadas quando envolvem figuras que desafiam sua hegemonia interna”, argumentou.
Alex também denunciou possível conflito de interesses na condução do processo: o secretário de organização do PT local, Paulo de Tarso H. Meira — responsável pelo trâmite das candidaturas no PED — é casado com Ana Carolina, a presidente do partido e autora da decisão que o impugnou.
Por fim, ele revelou que, em 27 de maio, recebeu um pedido direto de Bran Celeguim para que retirasse sua candidatura. Após recusar, foi surpreendido com a impugnação dias depois.
Apesar das críticas, a direção do PT local manteve a decisão, e Bran Celeguim foi eleito em meio à divisão interna que expôs rachaduras e disputas pelo controle do partido em Franco da Rocha.
