Casal de araras-azuis-de-lear é apreendido em Mairiporã com sinais de maus tratos

Listas da IUCN e ICMBio categorizam a ave como "em perigo", segunda categoria mais ameaçada. Uma mulher de 21 anos foi detida

No último sábado (27), a Guarda Civil Ambiental de Mairiporã realizou a apreensão de um casal de araras-azuis-de-lear em uma chácara no bairro Jardim Maria Fernanda, distrito de Terra Preta. Os animais, encontrados em estado de maus tratos, apresentavam cortes nas asas (rêmiges) e estavam em um ambiente inadequado.

Durante patrulhamento, os agentes foram alertados pelo grasnado característico das aves, levando à descoberta da situação. A mulher responsável pela chácara, de 21 anos, foi detida por não possuir a licença necessária para manter os animais, configurando crime ambiental conforme o Art. 29 da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98).

As araras-azuis-de-lear, classificadas como espécie em perigo (EN) pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foram encaminhadas ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) do estado. O ornitólogo Matheus de Moraes dos Santos destaca que o tráfico, a caça e a perda de habitat são as principais ameaças à sobrevivência dessa espécie.

Após reabilitação, as araras serão devolvidas ao sertão baiano, seu habitat natural, conforme informado pela prefeitura de Mairiporã. O aumento nas apreensões dessa espécie, atualmente contando com cerca de 2.273 indivíduos, preocupa especialistas, indicando um possível cenário de subnotificação do tráfico desses animais.

blank
A arara-azul-de-lear está na nova lista e é considerada uma espécie endêmica da Caatinga. — Foto: Nailson Junior

Dener Giovanini, fundador da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais (Renctas), destaca que o problema não se resume a tráfico amador, mas envolve “um esquema altamente profissional de comércio ilegal”. Ele alerta para o aumento expressivo nas apreensões, indicando a atuação de quadrilhas organizadas com recursos substanciais.

A situação da arara-azul-de-lear é agravada pela fragilidade da espécie, marcada pelo endemismo ao Raso da Catarina, região no norte do sertão baiano, e pelo reduzido número de indivíduos. A preocupação com a preservação dessas aves ressalta a importância do combate efetivo ao tráfico de animais silvestres e da conscientização sobre a necessidade de proteger espécies ameaçadas.

Publicidade
blank
Publicidade

Utilizamos cookies para melhorar o desempenho e a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.