O Sistema Cantareira passará a operar na Faixa 3 — Alerta — a partir deste domingo (1º), conforme decisão da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). Com a mudança, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está autorizada a ampliar a retirada de água do manancial de até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s) para até 27 m³/s, conforme os limites estabelecidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017.
A decisão ocorre após recuperação do volume útil do sistema em fevereiro, quando o índice passou de 22,7% para 35,8%, um acréscimo de 128,57 bilhões de litros. No último dia 27, o Cantareira registrava 35,42% de armazenamento, acima do limite de 30% exigido para operação na Faixa 3.
Além da ampliação para 27 m³/s, a Sabesp poderá utilizar, como medida de mitigação, a vazão transposta do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitando o limite outorgado.
Chuvas impulsionam recuperação, mas cenário ainda inspira cautela
O avanço no volume foi impulsionado por chuvas acima da média histórica na área do sistema em fevereiro. Foram registrados 244,8 milímetros, ante média de 200,8 mm. A vazão natural afluente atingiu 72,64 m³/s — quase três vezes o volume retirado no período.
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Apesar da melhora, o cenário ainda é considerado crítico em comparação ao mesmo período do ano passado. Em 28 de fevereiro de 2025, o sistema operava com 59,7% da capacidade, equivalente a 586 bilhões de litros. Atualmente, o volume armazenado é de 351 bilhões de litros. A diferença — de 235 bilhões — seria suficiente para abastecer uma população equivalente à da cidade de São Paulo por pouco mais de três meses.
O reflexo positivo também alcançou o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que opera com 48,2% da capacidade total.
Gestão compartilhada e regras pós-crise hídrica
A gestão do Cantareira é compartilhada entre a ANA e a SP Águas, com monitoramento diário de níveis, vazões e volumes armazenados. As regras atuais foram definidas após a crise hídrica de 2014/2015 e estabelecem faixas operativas de acordo com o volume acumulado, conferindo previsibilidade e maior segurança hídrica à Região Metropolitana de São Paulo e às bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Durante o período úmido, que se estende até maio, há maior flexibilidade na liberação de vazões para as bacias PCJ, mediante comunicados da SP Águas encaminhados também aos Comitês PCJ.
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Economia de água segue recomendada
Mesmo com a melhora nos índices, as agências reforçaram a necessidade de uso racional da água. Em nota, ANA e SP Águas destacaram a importância da adoção de medidas operacionais pela Sabesp para redução de perdas e estímulo ao consumo consciente pela população.
Atualmente, a Região Metropolitana de São Paulo permanece sob gestão noturna de pressão, com redução no fornecimento de água entre 19h e 5h.
O Sistema Cantareira é o principal manancial de abastecimento da Grande São Paulo e atende cerca de metade da população da região. É composto por cinco reservatórios interligados — Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro — com volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, conta também com a interligação com a UHE Jaguari, ampliando a segurança hídrica do sistema.
