Deputados federais acumulam 14 mil faltas e 3 mil seguem sem qualquer justificativa

Investigação da Agência Pública revela que PL e MDB lideram ranking de ausências; Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli perderam mandatos após excesso de faltas

A assiduidade dos representantes do povo na Câmara dos Deputados entrou na mira de uma nova investigação da Agência Pública. Desde o início da atual legislatura, em 2023, os 513 parlamentares acumularam um total de 13.813 ausências em sessões deliberativas. Embora a maioria (77,5%) tenha sido justificada para evitar descontos no salário, 3.107 faltas ficaram sem qualquer explicação nos últimos três anos.

O levantamento, baseado em dados da própria Câmara, mostra que 462 congressistas — ou seja, 90% da Casa — deixaram de justificar ao menos uma falta. O impacto financeiro é imediato: cada ausência não explicada em dias de votação gera um desconto de aproximadamente R$ 1,5 mil no salário do parlamentar.

O Ranking da Ausência

Apenas os 20 deputados com mais faltas sem justificativa somaram 706 ausências. No topo da lista, destacam-se parlamentares que perderam o mandato recentemente devido a condenações ou por excederem o limite constitucional de um terço de faltas não justificadas.

Os 10 deputados com mais faltas sem justificativa:

  • Chiquinho Brazão (Sem Partido-RJ): 113 faltas
  • Eduardo Bolsonaro (PL-SP): 61 faltas
  • Antônia Lúcia (Republicanos-AC): 42 faltas
  • Pedro Lupion (PP-PR): 37 faltas
  • Junior Lourenço (PL-MA): 33 faltas
  • José Priante (MDB-PA): 31 faltas
  • Olival Marques (MDB-PA): 31 faltas
  • Washington Quaquá (PT-RJ): 30 faltas
  • Carla Zambelli (PL-SP): 29 faltas
  • Renilce Nicodemos (MDB-PA): 29 faltas

Assiduidade vs. Atividade em Plenário

Os dados revelam perfis contrastantes de atuação. Enquanto parlamentares como Adriana Ventura (NOVO-SP) e Afonso Hamm (PP-RS) registram 100 discursos e pouquíssimas ausências sem justificativa, outros apresentam baixa atividade parlamentar somada a altas taxas de falta. É o caso de AJ Albuquerque (PP-CE), que acumula 22 faltas não justificadas e registrou apenas um discurso em plenário.

As justificativas, que totalizam 10,7 mil registros, são lideradas por nomes influentes do chamado “Centrão”. Luciano Bivar (União-PE) lidera com 146 faltas justificadas, seguido por Dr. Luizinho (PP-RJ) com 134 e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que justificou 113 ausências sob o argumento de missões oficiais.

Diferente do trabalhador comum, regido pela CLT, os deputados federais atuam em um regime de escala que exige presença apenas de terça a quinta-feira. Como não há punição prevista para faltas recorrentes além do desconto salarial, especialistas reforçam que o controle de assiduidade acaba dependendo exclusivamente do voto popular.

Esta reportagem contém informações da Agência Pública (apublica.org). Texto original de Dyepeson Martins, edição de Ed Wanderley. Imagem: Matheus Pigozzi/Agência Pública.

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