Entre os bairros com os maiores números de ocorrências estão o Parque Vitória, Vila Carmela de Tulio e Vila Machado
A morte da decoradora de festas Yara Vieira Silva, 31 anos, comoveu a população de Franco da Rocha e demais municípios da região. A vítima veio a óbito no dia 23 de maio, após ficar 41 dias internada. Ela foi brutalmente espancada e teve o corpo queimado e abandonado em um matagal pelo próprio marido, com quem era casada há cinco anos. O crime gerou revolta nas redes sociais e reacendeu o debate sobre feminicídio e violência doméstica.
Os dados de crimes violentos cometidos contra mulheres em Franco da Rocha mostram que o caso da decoradora, infelizmente, não foi uma exceção. Nos últimos três anos 2.326 mulheres foram vítimas de algum tipo de agressão. As referências incluem delitos de homicídio doloso, feminicídio, lesão corporal e ameaça. Além disso, 59,2% das vítimas tem entre 21 a 40 anos, a mesma faixa etária de Yara.
Somente no ano passado 775 ocorrências foram registradas no município, uma média de dois casos por dia. Os dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), obtidos pelo Conexão Juquery por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostram que entre 2019 e 2020 houve uma redução de 1,6% de apontamentos. Apesar da redução, a similaridade na quantidade de crimes nos últimos três anos chamam atenção.
A reportagem do Conexão Juquery procurou o Secretário de Segurança Pública de Franco da Rocha, Dorival José da Silva, para comentar sobre os dados, tentar entender o porquê desta estabilidade, e saber o que o município tem feito para reduzir essas ocorrências. Mas, até o fechamento desta matéria, não obtivemos nenhuma resposta.
Aliás, é importante destacar aqui a dificuldade que tivemos para entrar em contato com a Secretaria de Segurança Pública de Franco da Rocha. Na página da prefeitura não há nenhum número de telefone ou e-mail do secretário ou da equipe de comunicação. Somente após algumas tentativas de falar com o paço municipal foi que conseguimos o telefone (4800-1720) da pasta.
De volta aos dados, dos bairros que compõem o município de Franco da Rocha, o Parque Vitória é o que possui o maior número de ocorrências, seguido por Vila Carmela e Vila Machado. Perguntamos à secretaria o que poderia explicar essa maior concentração de registros nessas localidades, no entanto, mais uma vez não tivemos resposta.
Medidas para combater a violência
A policial militar e vereadora Sheila Renteiro (PL), única representante feminina na Câmara Municipal de Franco da Rocha, é autora do Projeto de Lei nº 1.519/2021, que reserva 5% das contratações firmadas pelo município a mulheres que integram programas de amparo às vítimas de violência doméstica. "Além do crime, as mulheres que sofrem violência também sofrem danos psicológicos, moral, etc. Então nada mais justo do que o poder público proporcionar maiores condições para elas retornarem ao mercado de trabalho", destaca a vereadora.
Sheila também é coautora do Projeto de Lei nº 1.536/2021, que torna obrigatório aos bares, casas noturnas, tabacarias, restaurantes, supermercados e shoppings centers, a adotar medidas para auxiliar mulheres que se sintam em situação de risco.
Campanha Sinal Vermelho
Neste mês de junho, a Campanha Sinal Vermelho - promovida pelo Conselho Nacional de Justiça com o objetivo de combater a violência doméstica - completa 1 ano. A ideia central é que a mulher consiga pedir ajuda em farmácias ou drogarias com um sinal vermelho desenhado na palma da mão. As vítimas contam com o apoio de mais de 11 mil farmácias em todo o país, cujos atendentes, ao verem o sinal, imediatamente acionam as autoridades policiais.
Como funciona a Campanha
- O sinal “X” feito com batom vermelho (ou qualquer outro material) na palma da mão ou em um pedaço de papel, o que for mais fácil, permitirá que o farmacêutico ou o atendente das farmácias e drogarias cadastradas reconheça que aquela mulher foi vítima de violência doméstica e, assim, promova o acionamento da Polícia Militar.
- Se houver flagrante, a Polícia Militar encaminhará a vítima e o agressor para a delegacia de polícia. Caso contrário, o fato será informado à delegacia de polícia por meio de sistema próprio para dar os encaminhamentos necessários – boletim de ocorrência e pedido de medida protetiva.
Como denunciar
A Polícia Civil de São Paulo oferece o atendimento presencial e on-line para vítimas de violência doméstica e familiar. O atendimento virtual ocorre na Delegacia Eletrônica.
As vítimas também podem acionar a Polícia Militar, pelo 190, e o Disque-denúncia pelo 180.
*Os dados utilizados nesta matéria foram obtidos a partir do Programa Jornalismo de Dados e Segurança Pública e Direitos Humanos, oferecido pelo Instituto Sou da Paz.
