Governo do Estado lança plano de contingência para prevenir crise de água na Grande SP

Com reservatórios em apenas 28,7% da capacidade, o estado pode adotar medidas como redução de pressão na rede e até rodízio de abastecimento, caso o nível continue caindo

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (24) um plano de contingência para o abastecimento de água diante do risco de uma nova crise hídrica na Região Metropolitana. O alerta vem após o terceiro ano consecutivo de chuvas abaixo da média e o registro do menor nível das represas desde 2014, com apenas 28,7% da capacidade total.

O plano, elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística em conjunto com o Comitê Estadual de Mudanças Climáticas, prevê ações graduais que vão desde campanhas de conscientização até o rodízio no fornecimento de água, em caso de agravamento da situação.

Entre as medidas, está a redução de pressão nos encanamentos por até 16 horas, a exploração do volume morto das represas e, em último caso, o racionamento controlado.

As ações estão organizadas em sete faixas de operação, que indicam o nível de criticidade e determinam as medidas a serem aplicadas:

Faixa 1 (abaixo de 43,8%) – Reforço das campanhas de uso consciente e revisão das transposições de bacia;

Faixa 2 (abaixo de 37,8%) – Redução de pressão por 8 horas noturnas;

Faixa 3 (abaixo de 31,8%) – Redução de pressão por 10 horas (situação atual da Grande São Paulo);

Faixa 4 (abaixo de 25,8%) – Contenção por 12 horas;

Faixa 5 (abaixo de 19,8%) – Restrições de 14 horas;

Faixa 6 (abaixo de 9,8%) – Contenção por 16 horas e início da captação do volume morto;

Faixa 7 (nível zero) – Implantação do rodízio de abastecimento.

Segundo o governo, as restrições só serão aplicadas após sete dias consecutivos em uma mesma faixa e poderão ser flexibilizadas após 14 dias de melhora.

O rodízio ou racionamento, considerado a medida mais extrema, dependerá de autorização da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado). “No rodízio, setorizamos as áreas de abastecimento e definimos horários específicos de fornecimento de água para cada local, conforme a gravidade. É a última alternativa, e felizmente não estamos próximos disso”, afirmou Thiago Mesquita Nunes, diretor da agência.

Durante as fases de restrição, o abastecimento será priorizado para serviços essenciais e famílias em situação de vulnerabilidade social. Terão fornecimento garantido hospitais, escolas, abrigos, unidades prisionais, delegacias, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e beneficiários da tarifa social.

Atualmente, com o sistema de reservatórios operando na faixa 3, a Grande São Paulo já enfrenta redução da pressão da água por 10 horas diárias — medida preventiva para evitar que a crise hídrica de 2014 e 2015 se repita.

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