INSS perde mais de 50% dos servidores e lida com onda de burnout enquanto fila explode

Investigação da Agência Pública revela que, em 20 anos, o órgão perdeu 24 mil postos de trabalho; fila de pedidos já ultrapassa 3 milhões

Conseguir um benefício no INSS tornou-se uma das maiores dificuldades para o cidadão brasileiro na atualidade. Uma investigação da Agência Pública revela que, entre 2006 e 2025, o órgão perdeu 53% dos seus postos de trabalho, enquanto a demanda por atendimento saltou 80%. O resultado desse desequilíbrio é uma fila recorde de 3 milhões de processos aguardando análise em todo o país.

A crise não atinge apenas quem espera pelo recurso para sobreviver, mas também quem analisa os pedidos. Segundo dados obtidos pela Pública via Lei de Acesso à Informação, cerca de 10% da força de trabalho da autarquia foi afastada por transtornos mentais ou comportamentais entre 2024 e 2025. É o caso de Miucha Cicaroni, servidora em Campinas, que após enfrentar um burnout, adoeceu novamente devido à pressão extrema por metas. “Numa tentativa de se adaptar, a gente vai adoecendo”, afirmou à reportagem original.

O “apagão” de funcionários reflete diretamente na judicialização da Previdência: Hoje, o INSS é o maior litigante do Brasil, figurando como réu em 4,3 milhões de processos. Especialistas apontam que, embora a digitalização e o uso de inteligência artificial tenham avançado, as ferramentas não foram suficientes para suprir a falta de concursos públicos e a precariedade tecnológica das agências, gerando um gargalo que compromete a sobrevivência de milhões de segurados.

Esta reportagem contém informações da Agência Pública (apublica.org). Texto original de Rafael Oliveira, edição de Ed Wanderley.

Publicidade
blank
Publicidade

Utilizamos cookies para melhorar o desempenho e a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.