Kiko vê desgaste entre petistas e mira votos na direita para sobreviver em 2026

Montagem/Conexão Juquery
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O gesto veio em tom de brincadeira, mas não passou despercebido no Congresso: durante a reunião da Comissão Especial do PLP 152/25, o deputado Zé Trovão (PL-SC) convidou publicamente Kiko Celeguim para se filiar ao PL. Chamou-o de “brilhante” e disse não entender “o que está fazendo no PT”. Riso geral na sala — mas, por trás da leveza da cena, havia a materialização de algo que já circula nos bastidores de Brasília: Kiko está tão distante da esquerda tradicional que até a direita se sente confortável em cortejá-lo.

E a aproximação não é gratuita. O presidente estadual do PT sabe que terá dificuldades para se reeleger em 2026 contando apenas com votos petistas. A crise de identidade com a militância, que se arrasta desde seu voto na PEC da Blindagem, deixou claro que o apoio de setores históricos do partido não é garantido. O próprio Kiko reconhece esse desconforto — e tenta driblá-lo.

O episódio recente com Michelle Bolsonaro reforçou o desgaste. Ao afirmar que a ex-primeira-dama sofre machismo dentro da direita, durante o encontro de mulheres do PT, Kiko provocou um mal-estar imediato. Militantes o vaiaram, acusando-o de defender justamente o símbolo eleitoral do bolsonarismo. A gafe expôs o que parte do partido já comenta abertamente: o deputado parece mais disposto a dialogar com a direita do que a defender a tradição ideológica que o PT espera de um de seus dirigentes.

Essa percepção não nasce do nada. Desde 2023, quando se apresentou como social-democrata em entrevista a Breno Altman, Kiko passou a ser visto como um corpo estranho dentro da legenda. Militantes o comparam a Fernando Haddad — não pela trajetória acadêmica, mas por representar um petismo mais moderado, “domesticado”, distante das ruas e da origem combativa do partido. Acrescente-se a isso a pressão pública sofrida após o voto favorável à PEC da Blindagem, ato que muitos no PT classificaram como uma ruptura explícita com a orientação partidária.

Por isso, o convite de Zé Trovão — mesmo feito em tom de camaradagem — foi mais do que uma piada de plenário. Funcionou como um termômetro. A direita vê em Kiko alguém com quem é possível dialogar. E Kiko, por sua vez, parece cada vez menos disposto a encarnar o papel de petista ortodoxo que parte da militância exige.

O deputado sabe que não será reeleito apenas com votos da esquerda — e essa consciência molda sua atuação. O flerte com a direita não é acidente: é estratégia. Uma que pode render votos fora da bolha petista, mas que aprofunda ainda mais o abismo com o próprio partido.

No fim das contas, a pergunta deixada no ar é simples: Kiko Celeguim está tentando ampliar sua base eleitoral — ou está, pouco a pouco, deixando o PT para trás?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Conexão Juquery 
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