Uma vítima de uma tentativa de golpe bancário acabou antecipando, sem saber, o destino de um dos suspeitos que tentaram enganá-la. Em um áudio encontrado pela Polícia Civil no celular de um dos investigados, o homem, de 50 anos, demonstra indignação com a tentativa de fraude e afirma acreditar que o golpista acabaria preso.
Dias depois, a previsão se concretizou. O suspeito foi preso durante uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) que desarticulou uma central de golpes instalada em uma chácara na zona rural de Franco da Rocha, na quarta-feira (12). Ao todo, quatro mulheres e um homem foram presos em flagrante.
Na gravação localizada pelos investigadores, a vítima critica o suspeito e diz que ele acabaria pagando pelos golpes praticados.
O que tu deu de golpe na turma, tu vai levar uma semana, tu vai perder. Se Deus existe, vai acontecer isso.
Durante a conversa, o homem também menciona sua experiência profissional como carreteiro e afirma conhecer diferentes tipos de pessoas. Pouco tempo depois da mensagem, um dos suspeitos acabou detido pelos policiais.
Central de golpes funcionava em chácara
A operação foi realizada por policiais da 5ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), vinculada ao Deic.
Segundo a Polícia Civil, o grupo havia alugado uma chácara na zona rural de Franco da Rocha cerca de uma semana antes da operação. Apesar do pouco tempo no imóvel, o local já funcionava como uma base para a aplicação de golpes bancários, principalmente contra pessoas idosas.
Quando os investigadores chegaram à propriedade, encontraram alguns dos suspeitos utilizando telefones e outros operando computadores para abordar e conversar com possíveis vítimas.
A chegada dos policiais provocou uma tentativa de fuga. Os envolvidos correram pelos fundos da chácara e dois homens conseguiram escapar pela área de mata.
Outras cinco pessoas foram alcançadas e presas em flagrante. São quatro mulheres e um homem, com idades entre 20 e 25 anos. Conforme a Polícia Civil, uma das mulheres já possuía passagem por estelionato.
Golpistas se passavam por gerentes de banco
As investigações apontam que o grupo utilizava uma estratégia baseada em engenharia social para conquistar a confiança das vítimas e obter informações bancárias.
Os suspeitos se apresentavam como gerentes ou representantes de instituições financeiras e entravam em contato alegando que compras ou outras movimentações suspeitas haviam sido identificadas nos cartões das vítimas.
Em seguida, afirmavam existir uma suposta falha de segurança e orientavam os correntistas a realizar determinados procedimentos para, aparentemente, proteger suas contas.
Na realidade, segundo a investigação, as orientações permitiam aos criminosos obter dados bancários e outras informações sensíveis, possibilitando o desvio de dinheiro. Pessoas idosas estavam entre os principais alvos do esquema.
Celulares e notebooks serão periciados
Durante as buscas na chácara, os policiais apreenderam seis celulares, cinco notebooks, cinco fones de ouvido e três veículos.
Os equipamentos eletrônicos passarão por perícia. É justamente a análise desse material que poderá ampliar a dimensão da investigação.
De acordo com o Deic, as informações armazenadas nos aparelhos podem permitir a identificação de outras pessoas que tenham sido abordadas pelo grupo, além de ajudar os investigadores a determinar quantos golpes foram efetivamente aplicados e os valores eventualmente desviados.
A investigação também deverá buscar informações sobre os dois suspeitos que conseguiram escapar pela mata durante a chegada dos policiais.
Os cinco presos foram encaminhados à 5ª Disccpat e ficaram à disposição da Justiça. Eles respondem, em tese, pelos crimes de estelionato e associação criminosa.


