Desde que foi eleita prefeita de Franco da Rocha, Lorena Oliveira (Solidariedade) enfrenta dificuldades à frente da administração municipal. Além de uma dívida de aproximadamente R$ 80 milhões herdada da gestão anterior, o governo também lida com ações e movimentações da oposição desde o início do mandato.
Na última semana, a Justiça decidiu a favor do município e garantiu a continuidade de um projeto que prevê a ampliação de R$ 120 milhões em investimentos. A decisão foi proferida
pelo juiz Victor Patutti Godoy, que negou o pedido de liminar que buscava suspender os efeitos de uma votação realizada na Câmara Municipal.
A ação questionava a sessão legislativa de 2 de abril, alegando supostos vícios no procedimento que aprovou os Projetos de Lei nº 29/2026 e nº 30/2026. Ao indeferir o pedido, o magistrado afirmou que não foram identificados requisitos legais que comprovassem violação ao devido processo legal, mantendo a validade da votação.
Com a decisão, o cronograma de obras segue mantido. Na educação, os recursos contemplam a Creche Vila Palmares e a EMEB Villa Real. Na saúde, os investimentos serão destinados à Policlínica, à UBS Vila Josefina e ao CAPS III. Já na área de infraestrutura e saneamento, o projeto inclui a canalização do Rio Água Vermelha, obras do Programa Periferia Viva no Jardim dos Reis e contenções de encostas.
Equilíbrio financeiro e acesso a crédito
A retomada da capacidade de investimento ocorre após reorganização das contas públicas.
A atual gestão herdou cerca de R$ 80 milhões em dívidas e já pagou mais da metade desse valor. Com a regularização financeira, o município voltou a ter acesso a linhas de crédito
com juros reduzidos junto à Caixa Econômica Federal e à Desenvolve SP, o que deve viabilizar um pacote de obras de pavimentação.
Bastidores e pressão política
Durante a tramitação dos projetos, houve pressão nos bastidores da Câmara Municipal. Segundo apuração do Conexão Juquery, integrantes ligados ao candidato derrotado nas
eleições de 2024 tentaram intervir no processo legislativo, incluindo contatos com o presidente da Casa para evitar que a proposta fosse pautada.
Atuação da oposição
Após a derrota de Bran Celeguim (PT) para Lorena Oliveira, a oposição passou a se articular. Nos meses seguintes, surgiram páginas de notícias com denúncias atribuídas a moradores sobre problemas na cidade, parte deles relacionados à gestão anterior.
Outra estratégia apontada é o uso de ações judiciais que acabam atrasando processos administrativos, como licitações e investimentos. Entre os exemplos citados estão a entrega de uniformes escolares e o fornecimento de medicamentos nas unidades básicas de saúde.
Após a decisão judicial que manteve o projeto de R$ 120 milhões, o autor da ação afirmou que pretende recorrer. “Não comemorem antecipado. Vai ter recurso da decisão e vou até o Supremo Tribunal Federal se necessário for”, declarou Marconi Aguiar, que atua na linha de frente das críticas à atual gestão.


