Outubro Rosa: autoexame salvou a vida de Luciela Oliveira, moradora de Franco da Rocha

blank
Foto: Arquivo Pessoal

Em setembro de 2020, a professora, de 37 anos, descobriu que estava com câncer de mama

Outubro Rosa é uma campanha anual realizada mundialmente com a intenção de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama. A doença, que é causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, é a que mais mata mulheres no Brasil. 

blank

Somente em 2019, os óbitos por câncer de mama ocuparam o primeiro lugar no país, representando 16,1% do total de mortes, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Embora a enfermidade possa acometer também os homens, o índice é de 1% dos casos.

Na maioria das mulheres, o problema surge após os 35 anos, mas desde os 25 recomenda-se fazer o autoexame alguns dias após a menstruação. Nesse período, as mamas ficam menos inchadas e a chance de localizar algum nódulo no exame de toque é maior. Quando descoberto logo no início, o tratamento tem bom prognóstico e probabilidade de sucesso no combate à doença.

De acordo com Solange Sanches, especialista em oncologia clínica do Hospital AC Camargo Câncer Center, o recomendado é que a mulher faça a sua primeira mamografia aos 40 anos e que repita o processo anualmente.

“Quanto mais precoce o diagnóstico de qualquer tumor, melhor é a evolução e melhor será o resultado que você terá do tratamento. Para o câncer de mama, especificamente, os tumores iniciais são aqueles que têm a chance de cura. Atrasos no diagnóstico vão atrapalhar essas chances e muitas vezes vão fazer com que essas mulheres cheguem ao diagnóstico em uma fase avançada”, afirma a especialista.

Autoexame

O diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia, Gil Facina, afirma que apenas 10% das mulheres com idade abaixo dos 40 anos são acometidas pelo câncer de mama e que por isso é tão importante que a paciente tenha conhecimento do seu próprio corpo.

“Geralmente, nessas pacientes jovens, esses tumores são um pouco diferentes, eles são mais agressivos, crescem rápido e há uma dificuldade maior da mamografia identificar. Esses casos são de difícil rastreamento, é muito mais provável rastrear no exame físico, daí a importância do autoconhecimento, de saber que a mama está diferente e procurar rapidamente o especialista”, alerta o mastologista.

A professora Luciela Oliveira, de 37 anos, moradora de Franco da Rocha, município da Região Metropolitana de São Paulo, descobriu que estava com câncer de mama em setembro de 2020, após realizar o autoexame. 

“Eu senti, por um acaso, um carocinho na minha mama esquerda. Eu estava deitada na cama, com os braços para cima e levei a mão, apertei e já senti. E eu não sentia dor, não sentia nada, a mama não tinha nenhuma alteração e minha primeira reação foi procurar na outra mama e não tinha, fiquei desesperada”, diz Luciela.

blank
Luciela e a filha Isadora, de 6 anos. [Foto: Arquivo Pessoal]

Ela conta também que descobrir o câncer em estágio inicial foi fundamental para a resposta positiva durante o tratamento. E, pelo fato de não pertencer ao grupo de 90% de mulheres que são atingidas pela doença após os 40 anos, ela reforça ainda mais a importância do autoexame.

Entre eu sentir mesmo com o toque e descobrir que realmente estava com câncer, foram dois meses. Era um tumor grau três, que é o que desenvolve mais rápido. Mas eu descobri em estágio inicial, o que fez toda a diferença para o meu tratamento. Por isso resolvi fazer aquela publicação no Facebook para reforçar a importância do autoexame. Foi uma coisa pensada? – Não foi. Foi por acaso que eu apertei e senti e isso fez toda a diferença”, relata a professora.

Sintomas do câncer de mama

O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, mas há tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais de câncer de mama são:

– edema cutâneo (na pele), semelhante à casca de laranja;

– retração cutânea;

– dor;

– hiperemia; descamação ou ulceração do mamilo;

– secreção papilar, especialmente quando é unilateral e espontânea*

*(a secreção associada ao câncer geralmente é transparente, podendo ser rosada ou avermelhada devido à presença de glóbulos vermelhos. Podem também surgir linfonodos palpáveis na axila).

Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados, porém podem estar relacionados a doenças benignas da mama.

Como prevenir o câncer de mama?

A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles considerados modificáveis.

Os principais fatores de risco comportamentais relacionados ao desenvolvimento do câncer de mama são: excesso de peso corporal, falta de atividade física e consumo de bebidas alcoólicas.

Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor.

A terapia de reposição hormonal (TRH), quando estritamente indicada, deve ser feita sob rigoroso controle médico e pelo mínimo de tempo necessário.

Publicidade
blank
Publicidade

Utilizamos cookies para melhorar o desempenho e a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.