Um ano após a morte da jovem Vitória Regina, de 17 anos, novas denúncias lançam dúvidas sobre a condução da investigação e podem mudar o rumo do caso ocorrido em Cajamar. Um perito que atuou nas apurações afirma ter sido pressionado para manipular laudos técnicos que embasaram a prisão do único suspeito, Maicol Sales dos Santos, que aguarda julgamento. Segundo ele, ao se recusar a forjar documentos, acabou afastado da investigação.
As novas informações vieram a público em reportagem exibida ontem pelo Domingo Espetacular, da Record TV.
Vitória desapareceu em fevereiro de 2025, após sair do trabalho. Em uma mensagem enviada pouco antes de sumir, a adolescente relatou que estava sendo seguida por dois homens. Nove dias depois, o corpo foi encontrado em uma área de mata da cidade. Maicol foi preso após a perícia apontar a presença de sangue em seu carro e em sua residência, além da existência de fotos da vítima em seu celular.
A defesa, no entanto, sustenta que houve fraude em etapas centrais da investigação. Um especialista contratado pelos advogados afirma que o celular atribuído ao suspeito “nunca passou por uma perícia formal”. Já o perito que diz ter sido afastado relata que aplicou luminol na casa de Maicol e que “não foi identificado sangue humano em nenhuma região”. No dia seguinte, segundo ele, outra equipe refez os exames e afirmou ter encontrado vestígios.
O perito também afirma que seu nome foi incluído indevidamente em um laudo complementar e que não há exame de DNA que comprove que o material recolhido seja, de fato, de Vitória. Outro ponto questionado é a confissão atribuída a Maicol, posteriormente anulada pela Justiça por suspeita de coação durante o depoimento.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o inquérito foi conduzido com rigor técnico, dentro da legalidade, e que a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça.
Enquanto o embate jurídico e técnico se intensifica, a família da vítima segue à espera de respostas. “Eu preciso dessa resposta”, disse o pai de Vitória, Carlos Alberto de Souza.
