PT de Franco da Rocha usa escritório bancado com verba pública para reuniões partidárias

Casa Kiko, escritório parlamentar mantido por Kiko Celeguim, abriga encontros do diretório liderado por seu irmão, Bran Celeguim

Uma publicação feita por um filiado do PT de Franco da Rocha no início desta semana reacendeu um debate sobre o uso de recursos públicos para fins partidários. A postagem revelava a realização de uma reunião interna do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores dentro da Casa Kiko, nome dado ao escritório de apoio ao mandato do deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP), localizado no centro da cidade.

A princípio, o encontro poderia passar despercebido. Mas o local da reunião gerou polêmica: a Casa Kiko é mantida com verbas públicas oriundas da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), mecanismo criado para custear despesas relacionadas exclusivamente ao exercício do mandato legislativo. Segundo dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, o custo mensal para manter o espaço gira em torno de R$ 17 mil. Em dois anos e meio de funcionamento, a estrutura já consumiu R$ 507.437,83 dos cofres públicos.

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PT de Franco da Rocha usa escritório bancado com verba pública para reuniões partidárias – Imagem/Reprodução

A situação se torna ainda mais delicada quando se leva em conta que o atual presidente do PT de Franco da Rocha é Bran Celeguim, irmão do deputado Kiko e ex-candidato à prefeitura da cidade em 2024. O diretório municipal do partido não possui sede própria — e, na prática, utiliza com frequência o escritório parlamentar como se fosse um espaço institucional da legenda.

O que diz a lei

De acordo com o Ato da Mesa nº 43/2009, que regula a CEAP, o uso dos escritórios de apoio deve estar restrito à atuação parlamentar — como atendimento à população, reuniões com equipe técnica e prestação de contas. O emprego da estrutura para atividades de natureza político-partidária, como reuniões internas de diretórios, não está contemplado nas finalidades permitidas e pode configurar desvio de finalidade ou até quebra de decoro parlamentar.

Especialistas em direito público e parlamentares ouvidos pelo Conexão Juquery em apurações anteriores reforçam que a linha entre mandato e atividade partidária precisa ser rigidamente respeitada. “A legislação é clara: verba pública não pode financiar agendas internas de partidos políticos. Isso fere o princípio da impessoalidade e configura uso indevido dos recursos”, afirma um consultor legislativo ouvido sob anonimato.

Uso reiterado e campanha eleitoral

Segundo levantamento do próprio Conexão Juquery, quase todas as reuniões do PT local desde a inauguração da Casa Kiko ocorreram dentro do escritório parlamentar. Durante o período de pré-campanha e campanha de 2024, o espaço também teria servido como ponto de apoio para a candidatura de Bran Celeguim, funcionando na prática como um comitê político não declarado.

Na ocasião, o PT de Franco da Rocha chegou a mover uma ação judicial contra o Conexão Juquery, alegando que a associação entre o uso do espaço público e a campanha de Bran era “infundada”. No entanto, a Justiça deu ganho de causa ao portal, reconhecendo o interesse público da informação e a veracidade dos fatos noticiados.

Silêncio diante dos questionamentos

O Conexão Juquery entrou em contato com a assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados, do deputado Kiko Celeguim e do diretório municipal do PT de Franco da Rocha, presidido por Bran, para obter esclarecimentos sobre o uso do espaço parlamentar para fins partidários. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno de nenhuma das partes. O espaço permanece aberto.

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