Por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Jair Bolsonaro e candidato a vice na chapa presidencial de 2022, foi preso pela Polícia Federal na manhã deste sábado (16). Ele é acusado de participação em uma suposta tentativa de golpe de Estado após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
Braga Netto, o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 38 pessoas foram indiciados em novembro por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa, com penas que variam de 3 a 12 anos de prisão. Segundo a decisão de Moraes, o general teria tentado obstruir a produção de provas, inclusive buscando informações sigilosas da delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.
Repercussões
A prisão de Braga Netto provocou reações opostas no cenário político. Jair Bolsonaro questionou a legalidade da medida, argumentando que o inquérito já havia sido concluído pela Polícia Federal. O senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente, classificou a prisão como um atropelo às normas legais.
Por outro lado, integrantes do governo comemoraram a decisão. Paulo Pimenta, ministro da Secom, defendeu que todos os envolvidos em atos golpistas sejam responsabilizados. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, considerou a prisão um marco no combate à extrema-direita no Brasil.
Contexto histórico
Braga Netto é o primeiro general de quatro estrelas, o mais alto posto da carreira militar, a ser preso na história do Brasil. Ele ficará sob custódia do Exército, no Comando Militar do Leste, e sua prisão preventiva será revisada a cada 90 dias.
O Exército, em nota oficial, informou que não comentará processos conduzidos por outros órgãos, reafirmando o respeito institucional entre as forças armadas e o Judiciário.
A prisão marca um novo capítulo nas investigações sobre atos antidemocráticos, intensificando as tensões entre o governo e a oposição.
