A seis dias das eleições, o deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP) afirmou que se arrependeu de ter votado a favor da chamada PEC da Blindagem, proposta aprovada pela Câmara dos Deputados em setembro de 2025 e posteriormente rejeitada pelo Senado. Na época da votação, Celeguim esteve entre os parlamentares do PT que contrariaram a orientação da bancada e apoiaram o texto.
A declaração foi feita durante sabatina promovida pelas páginas Portal Dois Pontos e Central de Notícias. Ao explicar a mudança de posição, Celeguim disse que seu voto estava relacionado a um acordo político que, segundo ele, envolveria a votação de pautas de interesse do governo federal e a tentativa de impedir o avanço da anistia relacionada aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
“Eu não votaria novamente porque o acordo não foi cumprido. Me arrependo de ter votado. O acordo que a gente fez era para votar a isenção do Imposto de Renda, o Gás Para Todos e isenção de energia elétrica e acordo para não votar pela anistia aos golpistas do 8 de Janeiro. Como o acordo não foi cumprido, me arrependo do voto”, afirmou o deputado durante a sabatina.
A justificativa apresentada agora segue a linha da explicação dada por Celeguim logo após a votação, em setembro de 2025. Na ocasião, o parlamentar, que também preside o PT no estado de São Paulo, classificou o apoio à PEC como um “gesto amargo” e afirmou que integrantes do partido haviam aceitado votar favoravelmente à proposta como uma sinalização ao Centrão em troca do avanço de pautas consideradas prioritárias pelo governo. Ele também relacionou a decisão à tentativa de evitar o avanço da anistia.
O que previa a PEC
A Proposta de Emenda à Constituição nº 3/2021 ficou conhecida como “PEC da Blindagem” e também foi chamada por críticos de “PEC da Bandidagem”. Entre as principais mudanças, o texto aprovado pela Câmara estabelecia a necessidade de autorização prévia da própria Câmara ou do Senado para que parlamentares fossem processados criminalmente.
Essa autorização seria decidida por votação secreta e dependeria da maioria absoluta dos integrantes da respectiva Casa legislativa. A proposta, portanto, alteraria as regras para o andamento de ações penais contra deputados e senadores.
Na Câmara, a PEC recebeu 353 votos favoráveis no primeiro turno. Apesar da orientação contrária do PT, parte da bancada petista apoiou o texto, incluindo Celeguim. A posição provocou críticas dentro do próprio partido e levou os parlamentares favoráveis à proposta a explicarem publicamente os motivos de seus votos.
A proposta também provocou reação fora do Congresso e foi alvo de manifestações contrárias em diferentes cidades do país.
Senado barrou proposta
A PEC não avançou no Senado. Em 24 de setembro de 2025, uma semana depois de sua aprovação pela Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeitou o texto por unanimidade. Foram 26 votos favoráveis ao parecer contrário à proposta e nenhum pela continuidade da matéria.
No mesmo dia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), oficializou o arquivamento da PEC. Com isso, as mudanças aprovadas anteriormente pelos deputados não entraram em vigor.
O episódio também causou desgaste interno no PT. Após a votação na Câmara, dirigentes e militantes cobraram explicações dos deputados da legenda que apoiaram a proposta. Celeguim justificou naquele momento que o Centrão precisava de uma “sinalização” do PT e que seu voto fazia parte de uma articulação para viabilizar outras pautas no Congresso.
Agora, mais de um ano depois da votação e às vésperas das eleições, Celeguim afirma que não repetiria a decisão. Segundo o deputado, o motivo para o arrependimento é justamente o fato de que, na avaliação dele, o acordo político que justificou seu voto não foi cumprido.




