Antes tarde do que nunca. Depois de cerca de 15 anos orbitando o poder em Franco da Rocha, Bran Celeguim finalmente descobriu os profissionais da Educação. O irmão de Kiko Celeguim, ex-chefe de gabinete e atual presidente do diretório municipal do PT resolveu, pela primeira vez, sair em defesa da categoria. Uma estreia emocionante. Quase histórica.
Seria até uma atitude louvável — daquelas dignas de aplausos em reunião sindical — se não fosse um pequeno detalhe: o súbito despertar de consciência aconteceu justamente agora, durante a gestão de Lorena Oliveira, a mesma prefeita que derrotou Bran nas urnas em 2024. Coincidentemente também em ano eleitoral. A política realmente adora coincidências.
Mas o Farolete, curioso como sempre, foi puxar pela memória.
Onde estava toda essa indignação quando os profissionais da Educação cruzaram os braços em 2018, ainda na gestão de Kiko Celeguim, pedindo melhores condições de trabalho? Qual foi a manifestação pública do então homem forte do governo quando professores protestavam nas ruas?
E mais: onde estava a nota indignada quando sua própria mãe, ocupando cargo de destaque no governo, passou diante dos manifestantes distribuindo beijinhos e ironia para a categoria? Na época, o silêncio parecia muito confortável.
Mas calma. Não sejamos injustos. As pessoas mudam. Evoluem. Descobrem empatia. Às vezes até redescobrem princípios — especialmente depois de perder eleição.
O problema é que a cronologia continua cruel.
Bran também não foi visto se manifestando quando sua mãe, Renata Celeguim, após mais de dez anos no comando da Educação, entregou Franco da Rocha com o pior desempenho educacional da região do CIMBAJU. Também não apareceu nenhuma nota inflamando as redes quando, em 2024, alunos ficaram sem uniformes e materiais escolares sob a justificativa de falta de recursos — mesmo com cidades vizinhas enfrentando dificuldades semelhantes e conseguindo realizar as entregas.
Também passou sem comentários o não pagamento das férias dos profissionais da Educação e as rescisões trabalhistas pendentes naquele mesmo período. Curiosamente, não houve vídeos indignados, textos emocionados ou solidariedade pública aos trabalhadores.
Agora, porém, Bran surge como voz ativa da categoria. Uma transformação impressionante. Quase um milagre político-pedagógico.
E aí fica a dúvida que circula nos bastidores: estamos diante de um novo homem, tocado pela empatia e pela consciência social… ou apenas de um velho político descobrindo que oposição também rende palanque?



