O “Orgulho de Ser Franco”, slogan que um dia estampou com orgulho o governo de Kiko Celeguim em Franco da Rocha, parece hoje ter entrado naquela categoria de frases que envelhecem mal — e silenciosamente são aposentadas sem cerimônia.
O atual deputado federal e presidente estadual do PT já não ostenta o mesmo vínculo territorial de outros tempos. Primeiro, mudou o CEP: deixou Franco da Rocha para trás e passou a residir em um condomínio de alto padrão em Mairiporã. Nada de errado com mudanças de endereço — a política é cheia delas —, mas o slogan, esse sim, ficou preso no passado.
Depois, veio outro movimento que não passou despercebido nos bastidores: a redistribuição generosa de emendas parlamentares para outros municípios, enquanto Franco da Rocha passou a receber um fluxo bem mais discreto de recursos. Coincidência ou apenas uma nova geografia política em construção?
O contexto ganhou ainda mais leitura após a derrota de Bran Celeguim nas eleições municipais de 2024. A partir dali, o “Orgulho de Ser Franco” parece ter entrado em modo econômico — quase silencioso.
Durante a própria campanha do irmão, uma imagem acabou chamando atenção: Kiko discursando em uma praça vazia. Cena que, para alguns, diz pouco; para outros, diz tudo — dependendo do humor político de quem assiste.
E como se o calendário também jogasse contra a nostalgia, na última sexta-feira (8) o deputado resolveu comemorar seu aniversário. Justo. O detalhe não foi o evento em si, mas o endereço: nada de Franco da Rocha. A celebração aconteceu na Casa de Portugal, em São Paulo, para um grupo mais… selecionado.
E aí fica a pergunta que insiste em circular nos bastidores: o “Orgulho de Ser Franco” era um sentimento ou um período?
Talvez a resposta não esteja nas falas, mas nos endereços.


