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Derrota de Maurici e queda na votação de Kiko expõem perda de força política na região

Derrota de Bran em 2024, perda do mandato de Maurici e redução expressiva dos votos de Kiko no Cimbaju mostram uma sequência de reveses para o grupo político

A imagem mostra o ex-deputado estadual Maurici ao lado dos filhos Bran e Kiko Celeguim
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Os resultados das duas últimas eleições apontam para uma mudança importante no cenário político de Franco da Rocha e da região do Cimbaju. Depois de mais de uma década de protagonismo do grupo ligado à família Celeguim, as urnas de 2024 e 2026 registraram uma sequência de reveses e, principalmente, uma redução expressiva da votação de alguns de seus principais nomes.

O primeiro sinal mais evidente ocorreu nas eleições municipais de 2024. Em Franco da Rocha, Lorena Oliveira (Solidariedade) derrotou Bran Celeguim (PT), irmão do deputado federal Kiko Celeguim e filho do então deputado estadual Maurici.

Lorena recebeu 36.141 votos, equivalentes a 51,80% dos votos válidos. Bran terminou a disputa com 28.837 votos, ou 41,33%. A diferença foi de 7.304 votos. O resultado encerrou uma sequência de administrações municipais ligadas ao mesmo grupo político.

A eleição teve peso simbólico porque Franco da Rocha representa a principal base eleitoral da família. Kiko Celeguim administrou o município entre 2013 e 2020 e participou da construção da candidatura de seu sucessor, Dr. Nivaldo, eleito em 2020. Quatro anos depois, entretanto, o grupo não conseguiu manter a Prefeitura com Bran.

Revés também em Caieiras

A eleição municipal daquele ano também trouxe outro resultado desfavorável a uma candidatura politicamente próxima ao grupo na região.

Em Caieiras, Gilmar Lagoinha (PL) foi reeleito prefeito com 31.002 votos, ou 62,85% dos votos válidos. Josie Dartora (PV) terminou em segundo lugar, com 12.335 votos e 25,01%. A diferença superou 18,6 mil votos.

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O resultado de Caieiras, porém, precisa ser analisado de maneira diferente do ocorrido em Franco da Rocha. A derrota de Josie não pode ser atribuída diretamente a Kiko, Maurici ou ao grupo político da família. Ela integra, entretanto, o contexto político regional no qual aliados e adversários passaram a disputar espaços anteriormente associados à influência do grupo.

2026 amplia a mudança

Dois anos depois, as eleições gerais trouxeram novos elementos.

Maurici não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Seu nome não aparece entre os 94 deputados estaduais eleitos oficialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

Ao mesmo tempo, Kiko Celeguim conseguiu preservar uma cadeira na Câmara dos Deputados. A permanência no Congresso é um contraponto importante à tese de perda de espaço: apesar da retração eleitoral registrada em sua principal região de atuação, Kiko segue ocupando um mandato federal.

É justamente a comparação entre as eleições que mostra a dimensão da mudança.

Kiko perde mais da metade dos votos no Cimbaju

Nos cinco municípios que compõem o Cimbaju, Kiko havia recebido 78.499 votos em 2022. Em 2026, foram 35.985.

A redução foi de 42.514 votos, equivalente a aproximadamente 54,2%.

Em Franco da Rocha, sua principal base eleitoral, Kiko passou de 35.343 votos em 2022 para 18.275 em 2026, queda de aproximadamente 48,3%.

Em Francisco Morato, caiu de 23.957 para 10.926, retração de 54,4%. Em Caieiras, passou de 11.911 para 4.977, redução de 58,2%.

As maiores quedas proporcionais ocorreram em Mairiporã e Cajamar. Em Mairiporã, a votação caiu de 5.460 para 1.557, redução de 71,5%. Em Cajamar, passou de 1.828 para apenas 250 votos, queda de 86,3%.

Apesar da redução, Kiko conseguiu votos suficientes no conjunto do estado para permanecer na Câmara dos Deputados.

Maurici perde 65% dos votos na região

A retração foi ainda maior no caso de Maurici.

Nos cinco municípios do Cimbaju, o deputado havia conquistado 56.595 votos em 2022. Quatro anos depois, recebeu 19.598.

São 36.997 votos a menos, redução de aproximadamente 65,4%.

Em Franco da Rocha, Maurici passou de 24.828 para 11.700 votos, queda de 52,9%.

Em Francisco Morato, a redução foi ainda mais acentuada: de 19.111 para 3.277 votos, aproximadamente 82,9%.

Caieiras registrou queda de 7.155 para 3.138 votos; Mairiporã, de 3.778 para 1.350; e Cajamar, de 1.723 para 133 votos.

Ao contrário de Kiko, Maurici não conseguiu compensar a perda regional com votos suficientes em outras partes do estado e ficou fora da nova composição da Alesp.

Juntos, Kiko e Maurici perderam quase 80 mil votos no Cimbaju

Quando os resultados dos dois são somados, a dimensão da retração fica ainda mais evidente.

Kiko e Maurici receberam juntos 135.094 votos nos cinco municípios do Cimbaju em 2022. Em 2026, a soma caiu para 55.583.

São 79.511 votos a menos em quatro anos, uma redução de aproximadamente 58,9%.

Somente em Franco da Rocha, os dois somavam 60.171 votos em 2022. Agora, alcançaram juntos 29.975. Isso representa uma queda de aproximadamente 50,2% na cidade que historicamente funciona como principal reduto político do grupo.

Mudança no mapa político regional

Os números não permitem concluir, isoladamente, que exista uma rejeição consolidada à família Celeguim. Eleições municipais e gerais possuem dinâmicas diferentes, assim como candidaturas proporcionais dependem de fatores partidários, alianças e bases eleitorais espalhadas pelo estado.

Também seria impreciso falar em desaparecimento político do grupo. Kiko Celeguim permanece deputado federal e, portanto, mantém representação institucional e capacidade de atuação política.

Os resultados, entretanto, permitem identificar objetivamente uma sequência de perdas.

Em 2024, Bran Celeguim perdeu a disputa pela Prefeitura de Franco da Rocha. Em 2026, Maurici não conseguiu renovar seu mandato estadual. No mesmo período, Kiko e Maurici perderam juntos quase 80 mil votos no Cimbaju em comparação com quatro anos antes.

Mais do que um resultado isolado, os números indicam uma retração eleitoral e uma reorganização das forças políticas da região.

A questão que passa a orientar os próximos anos é se essa mudança representa apenas um ciclo eleitoral desfavorável ou uma transformação mais duradoura no mapa político construído pelo grupo ao longo da última década.

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