A escritora e pesquisadora Adrienne Savazoni, nascida no Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, representou o município na 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), um dos mais importantes eventos literários do país. Convidada oficialmente pela organização, ela participou de uma mesa de debate sobre literatura indígena e apresentou sua obra a leitores de diversas regiões do Brasil.
Doutora em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Adrienne levou à FLIP sua trajetória acadêmica e literária, marcada pela valorização da ancestralidade indígena e da relação entre literatura, memória e natureza. Autora do livro de poesias Yuquery, a escritora utiliza o Vale do Juquery como cenário e inspiração para sua produção, resgatando referências indígenas ligadas à região.
Para Adrienne, representar Franco da Rocha em um evento dessa dimensão foi um momento de grande significado pessoal e profissional.
Representar Franco da Rocha na FLIP foi uma honra muito grande. Estar lá, depois de tanta luta, é a coroação de toda uma trajetória, principalmente de uma menina que saiu do Parque Estadual do Juquery para a vida apenas com suas histórias, sonhos e poesias
Durante o evento, a autora integrou a mesa de debate sobre literatura indígena ao lado das escritoras Eva Potiguara, Jama Wapixana e Vanessa Guarani Ratton. Segundo ela, o encontro reuniu diferentes perspectivas sobre a produção literária dos povos originários, abordando temas como ancestralidade, memória, resistência, feminismo indígena e enfrentamento ao colonialismo.
Adrienne destacou que sua apresentação buscou mostrar como a literatura indígena produzida por mulheres estabelece outra relação com o tempo, com a palavra e com a natureza.
Mostrei o quanto a literatura indígena de autoria feminina habita outro tempo e como essa palavra é o próprio ritual, a própria celebração e a comunhão do corpo com a natureza.
Ao final da mesa, a escritora declamou um poema inédito, que, segundo ela, emocionou o público presente e foi recebido com aplausos.
Além dos debates, Adrienne participou de encontros com leitores e da venda de seus livros. Ela conta que a história do Juquery despertou grande curiosidade entre visitantes da FLIP.
Muitas pessoas não imaginavam que existisse Cerrado no estado de São Paulo, muito menos na Região Metropolitana. Houve bastante interesse pelo livro justamente por abordar o Juquery e apresentar uma outra perspectiva sobre a história do antigo hospital
A escritora afirma que a participação na FLIP representa um marco em sua trajetória. Além da troca de experiências com autoras indígenas de diferentes etnias e regiões do país, o evento abriu espaço para novas parcerias e futuros projetos literários.
Aprendi muito convivendo com mulheres indígenas de diferentes povos. A FLIP se tornou um grande portal de celebração da minha trajetória, da minha obra e também um caminho para novas oportunidades


