Após reportagens publicadas pela Folha de S. Paulo e reproduzidas pelo Conexão Juquery, a assessora parlamentar Talita Greco, esposa do deputado federal Kiko Celeguim, pediu exoneração do cargo que ocupava na liderança do PT na Câmara Municipal de São Paulo.
A exoneração foi publicada no Diário Oficial e, segundo o documento, ocorreu a pedido da própria servidora.
Segundo apuração do Conexão Juquery com integrantes ligados ao grupo político petista, a saída de Talita teria como objetivo evitar desgaste à pré-campanha de Kiko Celeguim, que deve disputar a reeleição para um segundo mandato como deputado federal em 2026.
Talita havia sido nomeada em março deste ano para atuar como assessora parlamentar da liderança petista. Segundo a Câmara Municipal, ela recebia salário bruto de R$ 10.544,71 e cumpria expediente das 10h às 19h, “nas dependências do gabinete, podendo esporadicamente exercer atividades externas ligadas à sua função”, conforme informou a liderança do PT em nota.
Funcionária-fantasma? Esposa de Kiko Celeguim é vista em academia durante expediente de trabalhoA denúncia ganhou repercussão após a Folha de S. Paulo afirmar ter recebido informações de que Talita seria uma suposta funcionária fantasma. Durante a apuração, a reportagem localizou a assessora às 11h05 da última segunda-feira (18) em uma academia na cidade de Jundiaí, a cerca de 60 quilômetros da capital paulista.
Talita é sócia-administradora do estabelecimento. Segundo informações disponíveis no site da franquia Spincycle, o investimento inicial para abrir uma unidade da academia é de aproximadamente R$ 1,2 milhão. O valor equivale, segundo os cálculos apresentados pela reportagem, a cerca de 109 meses de salários recebidos por Talita na Câmara Municipal, o equivalente a mais de nove anos de remuneração integral no cargo ocupado junto à liderança do PT.
De acordo com a Folha, ao ser contatada por telefone enquanto estava na academia, Talita afirmou que se encontrava na Câmara Municipal naquele momento. A reportagem afirma ainda que procurou a assessora em gabinetes do partido e em uma padaria onde ela teria dito estar almoçando, mas não conseguiu localizá-la.
Posteriormente, Talita negou as acusações e afirmou cumprir expediente no gabinete do vereador Hélio Rodrigues. Questionada sobre imagens que a mostrariam em frente à academia durante o horário de trabalho, ela não comentou.
No dia seguinte, a reportagem voltou à Câmara Municipal e tentou novamente questionar a assessora sobre sua presença em Jundiaí durante o expediente. Segundo o relato publicado, Talita entrou no gabinete do vereador acompanhada de uma servidora, que teria impedido a aproximação da imprensa.
Antes de assumir a função na liderança do PT, Talita ocupava um cargo na Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo desde março de 2022. Ela assumiu a vaga após a saída de Kiko Celeguim, então vereador da capital paulista e atualmente deputado federal e presidente estadual do PT em São Paulo. Naquele ano, Celeguim foi eleito para a Câmara dos Deputados.
Diferentemente dos cargos efetivos, preenchidos por concurso público, os cargos comissionados são de livre nomeação e exoneração e costumam ser destinados a funções de confiança, chefia e assessoramento.
Em nota enviada ao Conexão Juquery, Talita Greco repudiou a reportagem publicada pela Folha de S. Paulo e reproduzida pelo portal. Ela afirmou que possui trajetória profissional consolidada como advogada, integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político e militante do direito público.
Segundo Talita, a reportagem se baseou em “denúncia anônima e imagens retiradas de contexto” para levantar suspeitas sobre sua atuação profissional. Ela também questionou o que classificou como tratamento seletivo e afirmou enxergar machismo institucional na cobertura do caso.
A assessora ainda declarou que enfrentava uma situação familiar delicada durante o período da reportagem, afirmando que seu filho de dois anos estava com pneumonia e precisando de acompanhamento hospitalar.
“Liberdade de imprensa é um valor fundamental da democracia, mas não pode ser confundida com autorização para constranger, atacar e expor a vida privada de uma mulher sem qualquer comprovação de ato ilícito ou irregularidade no exercício de suas funções”, afirmou em trecho da nota.



