Terça-feira, 03 de novembro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo

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Janeiro é uma folha em branco para suas resoluções internas

Janeiro chega silencioso, como quem pede licença para entrar. O ano ainda cheira a novo, e as pessoas fazem promessas apressadas: emagrecer, economizar, mudar de emprego. Pouco se fala, porém, do que não aparece no espelho: a mente, esse lugar onde moram os desejos, os medos e as dores que aprendemos a esconder.

Janeiro chega silencioso, como quem pede licença para entrar. O ano ainda cheira a novo, e as pessoas fazem promessas apressadas: emagrecer, economizar, mudar de emprego. Pouco se fala, porém, do que não aparece no espelho: a mente, esse lugar onde moram os desejos, os medos e as dores que aprendemos a esconder.

O Janeiro Branco surge como um convite diferente: olhar para dentro. Na psicanálise, sabemos que aquilo que não é dito não desaparece; apenas encontra outras formas de se manifestar. Um silêncio prolongado pode virar angústia. Uma tristeza ignorada pode se transformar em cansaço constante. O corpo fala quando a mente não encontra espaço para ser escutada.

Desde cedo, aprendemos a engolir o choro, a disfarçar a raiva, a seguir em frente sem perguntar se ainda somos nós mesmos nesse caminho. A psicanálise nos lembra que não somos feitos apenas de conquistas, mas também de conflitos. E reconhecer isso não é fraqueza: é cuidado.

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Janeiro, com seus dias claros, simboliza a folha em branco que carregamos por dentro. Não para apagar o passado, mas para reescrevê-lo com mais consciência. Olhar para a própria história, entender as repetições, perceber por que certos sentimentos insistem em voltar. Nada disso acontece de uma vez; é um processo, como uma conversa longa e sincera consigo mesmo.

Falar sobre saúde mental é permitir que o inconsciente encontre palavras. É dar sentido ao que antes parecia confuso. O Janeiro Branco não pede perfeição; pede escuta. Escuta de si, do outro, daquilo que dói e também do que deseja viver.

Talvez o maior gesto deste mês seja simples: aceitar que cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo. E que todo ano novo só se torna verdadeiramente novo quando temos coragem de olhar para dentro e dizer: eu mereço me compreender.

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