A audiência da ação trabalhista de quase R$ 400 mil movida por um ex-motorista contra o deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP), prevista para esta terça-feira (22), foi adiada para fevereiro de 2027.
O Conexão Juquery apurou que a mudança ocorreu após um pedido do deputado. Com a remarcação, a audiência, que aconteceria a poucos dias das eleições, será realizada somente depois do período eleitoral.
A informação sobre o adiamento veio a público inicialmente por meio de Talita Greco, esposa de Celeguim. Em comentário feito em uma publicação do Conexão Juquery nas redes sociais, ela informou que a audiência havia sido transferida para fevereiro, sem apresentar detalhes sobre o motivo. O comentário foi apagado pouco tempo depois.
Após o comentário, a reportagem apurou as circunstâncias da mudança e confirmou que a remarcação ocorreu a pedido do parlamentar.
O Conexão Juquery procurou Kiko Celeguim e questionou por qual motivo ele solicitou o adiamento, qual justificativa foi apresentada à Justiça e se a proximidade das eleições teve alguma relação com o pedido.
O parlamentar optou por não comentar essas questões.
“O deputado Kiko reitera que não fará comentários a respeito do andamento de processo judicial, cujos termos dizem respeito somente às partes”, informou em resposta encaminhada ao Conexão Juquery.
Audiência teria oitiva de testemunhas
A audiência desta terça-feira representaria uma nova etapa da ação trabalhista.
Em junho, Kiko Celeguim e o ex-motorista participaram de uma tentativa de conciliação, mas não chegaram a um acordo.
Após o insucesso da negociação, a Justiça marcou para 22 de setembro a audiência de instrução, fase em que estava prevista a produção de provas e a oitiva de testemunhas indicadas pelas partes.
Agora, essa etapa deverá ocorrer somente em fevereiro de 2027.
Esta não é a primeira vez que uma audiência do processo é adiada após solicitação de Celeguim.
Uma audiência anteriormente marcada para 27 de maio também foi postergada a pedido do parlamentar. Na ocasião, conforme registrado anteriormente pelo Conexão Juquery, Celeguim estava em Brasília participando de uma votação na Câmara dos Deputados.
Desta vez, questionado sobre a razão para solicitar uma nova mudança de data, o deputado afirmou apenas que não comentará o andamento do processo.
Ex-motorista cobra quase R$ 400 mil
A ação foi apresentada por um ex-motorista de Kiko Celeguim, que pede, entre outros pontos, reconhecimento de vínculo empregatício, pagamento de horas extras e verbas rescisórias.
O valor atribuído à causa se aproxima de R$ 400 mil.
Na reclamação trabalhista, o trabalhador afirma que cumpria jornada de segunda-feira a domingo, das 6h às 22h, sem intervalo para almoço.
Ele também sustenta que, além de dirigir para o parlamentar, realizava atividades particulares envolvendo integrantes da família de Celeguim.
Entre as tarefas relatadas estão o transporte da esposa e dos filhos do deputado, da empregada doméstica e dos cães da família.
Celeguim já contestou essas acusações.
Em manifestação encaminhada anteriormente ao Conexão Juquery, o deputado afirmou que “os fatos narrados não são verdadeiros” e que as questões estão sendo discutidas na esfera judicial.
“Confiamos na justiça e aguardamos o julgamento”, declarou na ocasião.
As alegações do ex-motorista permanecem sob análise da Justiça e ainda não representam uma conclusão judicial sobre os fatos discutidos na ação.
Registros mostram atividades particulares
Em uma nova etapa da apuração, o Conexão Juquery teve acesso a registros que mostram o ex-motorista realizando algumas das atividades particulares descritas no caso.
Em um deles, o trabalhador aparece utilizando um veículo alugado em Brasília para buscar, às 6h, a empregada doméstica e levá-la para a residência do parlamentar.
Outro registro mostra o motorista acompanhado da funcionária para buscar um dos filhos do deputado na escola.
Há ainda registros relacionados ao transporte dos cães da família e um episódio em que o motorista aparece buscando a sogra de Celeguim para levá-la a uma visita ao filho, que estava preso naquele momento.
Os registros mostram a realização de atividades particulares envolvendo integrantes da família do parlamentar. Isoladamente, porém, não permitem determinar a frequência dessas tarefas nem comprovar toda a jornada alegada pelo trabalhador.
Processo já teve pedido de segredo de Justiça
O processo ganhou repercussão depois que o Conexão Juquery revelou a existência da ação trabalhista.
Após a publicação da primeira reportagem, a defesa de Kiko Celeguim solicitou que o processo passasse a tramitar sob segredo de Justiça.
Em posicionamento encaminhado posteriormente ao portal, Celeguim afirmou que a medida ocorreu devido ao “grande volume de acesso” aos autos por advogados não relacionados à causa.
Na mesma manifestação, o deputado acusou o Conexão Juquery de manipular alegações do processo para prejudicar sua imagem pública.
O Conexão Juquery mantém a apuração publicada e registra as manifestações apresentadas pelo parlamentar. As acusações feitas pelo ex-motorista são tratadas como alegações enquanto não houver decisão judicial que reconheça os fatos discutidos no processo.
Nova audiência será depois das eleições
O adiamento ocorre durante o período eleitoral. Kiko Celeguim é deputado federal, presidente estadual do PT e integra a coordenação da campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
A audiência de instrução prevista para 22 de setembro ocorreria a poucos dias das eleições. Com a remarcação, ficou para fevereiro de 2027, depois do encerramento do processo eleitoral.
A coincidência entre o novo calendário da audiência e o período eleitoral não permite, isoladamente, concluir qual foi a motivação do pedido de adiamento.
Por isso, o Conexão Juquery perguntou diretamente ao parlamentar se a proximidade das eleições teve alguma relação com a solicitação, além de questionar qual justificativa foi apresentada para a mudança da data.
Celeguim não respondeu especificamente a essas perguntas e informou que não fará comentários sobre o andamento da ação judicial.
A nova audiência deverá ocorrer em fevereiro de 2027. O Conexão Juquery continuará acompanhando os desdobramentos do processo.


