A defesa do deputado federal Kiko Celeguim (PT), atual presidente estadual do partido em São Paulo, solicitou segredo de Justiça no processo trabalhista em que ele figura como réu na 2ª Vara do Trabalho de Franco da Rocha. O pedido foi apresentado após a publicação de uma reportagem exclusiva do Conexão Juquery sobre o caso.
Além da solicitação para restringir o acesso aos autos, a audiência que estava marcada para o dia 27 de maio foi adiada a pedido do parlamentar. Segundo informações do processo, Kiko Celeguim estava em Brasília participando da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6x1.
A ação foi movida por um ex-motorista do deputado, que busca o reconhecimento de vínculo empregatício, pagamento de horas extras e verbas rescisórias. O valor atribuído à causa é de quase R$ 400 mil.
Na reclamação trabalhista, o ex-funcionário afirma que trabalhava de segunda-feira a domingo, das 6h às 22h, sem intervalo para almoço. Ele também sustenta que exercia atividades pessoais para a família do parlamentar.
Entre as funções descritas na ação estão dirigir para Kiko Celeguim, sua esposa, seus filhos e a empregada doméstica da família. O ex-motorista também afirma que era responsável por levar os cães da residência ao pet shop.
Como parte das provas apresentadas, foram anexadas dezenas de fotografias registradas entre os anos de 2022 e 2025. As imagens incluem viagens, campanhas eleitorais e eventos políticos dos quais o trabalhador afirma ter participado durante o período alegado na ação.
O caso ocorre em meio a uma sequência de desgastes políticos enfrentados pelo deputado dentro do próprio Partido dos Trabalhadores.
No ano passado, Kiko Celeguim votou favoravelmente à chamada PEC da Blindagem, apelidada por críticos de “PEC da Bandidagem”, contrariando a orientação nacional do PT, que defendia voto contrário à proposta. O texto acabou sendo barrado no Senado após forte pressão popular, mas o posicionamento do parlamentar gerou repercussão interna e críticas de filiados. Na ocasião, integrantes do partido chegaram a defender publicamente sua expulsão da legenda.
O Conexão Juquery também apurou que pessoas ligadas ao deputado e integrantes de sua equipe estariam pressionando o reclamante a aceitar um acordo e encerrar o processo antes da realização da audiência.
A reportagem procurou Kiko Celeguim para comentar as acusações apresentadas na ação trabalhista, os relatos de pressão para um acordo e as críticas relacionadas à sua atuação política. Em nota, o deputado afirmou apenas que o processo é um assunto de caráter privado em discussão na esfera judicial e, por esse motivo, não faria comentários neste momento.




